Descrição
Esta atividade, integrante do Projeto Integrado Gerontologia – Alzheimer, parte de uma contextualização clínica e histológica de um caso real descrito na literatura clássica: mulher de 51 anos com início insidioso de sintomas comportamentais (ciúmes), rápida deterioração progressiva da memória, desorientação espacial e temporal, alterações da linguagem e episódios delirantes, com evolução para estupor e óbito após cerca de quatro anos e meio. O relato inclui achados histológicos observados com o método de prata de Bielschowsky, descrevendo fibrilas anormais em células corticais e focos miliares por deposição de uma substância peculiar no córtex.
A proposta aborda, a partir desse cenário-problema, a compreensão da fisiopatologia da doença de Alzheimer enquanto doença degenerativa cerebral primária, irreversível e evolutiva que acomete inicialmente o hipocampo e subsequentemente áreas corticais, levando a declínio cognitivo funcional. Também explora fatores epidemiológicos e de risco apontados na fonte (genética como principal causa — mais de 70% — e fatores como histórico de lesão craniana e hipertensão), os impactos familiares e sobre o cuidador, e a discussão sobre intervenções de reabilitação geriátrica capazes de atenuar perdas funcionais.
O que é desenvolvido nesta atividade: elaboração de respostas textuais que descrevam a fisiopatologia da doença de Alzheimer com base na contextualização apresentada; explicação de de que maneira a reabilitação geriátrica poderia auxiliar a paciente; distinção conceitual entre senilidade e senescência; conceituação de estresse e diferenciação entre eustress e distress; e identificação, conforme solicitado na atividade, dos medicamentos indicados para a doença de Alzheimer e a explicação de seu funcionamento, segundo a bibliografia indicada.
Principais conteúdos abordados
- Doença de Alzheimer: natureza degenerativa, irreversível e evolução clínica (afetando hipocampo e córtex).
- Dados epidemiológicos e demográficos: população idosa do Brasil (>30,2 milhões em 2017; projeção de posição mundial em 2025).
- Fatores etiológicos e de risco: predominância genética (>70%), lesão craniana, hipertensão.
- Descrição clínica do caso: sintomas comportamentais, deterioração da memória, desorientação, alterações de linguagem e delírio; curso de ~4,5 anos até o óbito.
- Achados histológicos clássicos: fibrilas anormais intracelulares e focos miliares por deposição cortical (método de prata de Bielschowsky).
- Impacto familiar e sobre o cuidador; questões psico-sociais associadas ao cuidado do idoso com demência.
Projeto Integrado Gerontologia – Alzheimer
CONTEXTUALIZAÇÃO
Leia com atenção a descrição a seguir:
“Com 51 anos de idade, uma mulher apresentou ciúmes do marido como primeiro sintoma
evidente de sua doença. Logo uma rápida deterioração progressiva da memória tornou-se aparente;
ela não conseguia orientar-se na própria casa. Mudava objetos de lugar e os escondia. Algumas vezes,
acreditava que alguém queria matá-la e gritava.
No hospital psiquiátrico, seu comportamento era marcado pela perplexidade. Ela estava
completamente desorientada no tempo e espaço. Ocasionalmente, salientava que não conseguia
compreender coisa alguma e nada lhe era familiar. Algumas vezes, ela cumprimentava o clínico como
se fosse um visitante e desculpava-se por não ter terminado seu trabalho, outras vezes gritava alto
que ele queria machucá-la, ou o repudiava indignada, indicando que temia que sua castidade fosse
por ele ameaçada. Algumas vezes, estava totalmente delirante, carregando a roupa de cama,
chamando seu marido e sua filha e parecia ter alucinações auditivas. Frequentemente, gritava com
voz pavorosa por várias horas.
Em razão de sua incapacidade de compreender a própria situação, ela sempre chorava muito
quando alguém tentava examiná-la. Somente depois de repetidas tentativas, por fim foi possível
conduzir alguma avaliação.
Sua capacidade de memória estava profundamente prejudicada. Se alguém lhe mostrava
objetos, ela em geral era capaz de nomeá-los corretamente, mas logo depois esquecia tudo. Ao ler,
confundia linhas, lia soletrando as palavras ou sem entonação, sem fazer sentido. Escrevendo, muitas
vezes repetia sílabas ou as omitia e perdia a concentração rapidamente. Ao falar, frequentemente
usava frases confusas ou parafasias (“jarro de leite” em vez de “xícara”). Algumas vezes notava-se
que ela ficava travada. Algumas questões, ela claramente não compreendia. Parecia não mais saber
o modo de usar alguns objetos… (Alzheimer, 1907)
Passado algum tempo, o embotamento progrediu. Após quatro anos e meio de doença,
ocorre a morte. No estágio final, a paciente apresentava completo estupor e permanecia com as
pernas dobradas junto de si, estava incontinente e, apesar de todo o cuidado, havia desenvolvido
escaras de decúbito.
Ao fazer a análise histológica, descobre que: […] Dentro de células aparentemente normais,
uma ou algumas fibrilas destacam-se nitidamente por sua espessura e impregnação [foi usado o
método de prata de Bielschowsky]. Mais à frente, muitas fibrilas paralelas com as mesmas mudanças
aparecem. Essas fibrilas agregam-se em feixes densos e eventualmente emergem na superfície da
célula. Finalmente, o núcleo e a célula fragmentam-se, e apenas um feixe emaranhado de fibras
PROJETO INTEGRADO
INDIVIDUAL – PTI
indica onde antes havia uma célula ganglionar. Como essas fibras podem ser coradas por corantes
diferentes dos usados para corar neurofibrilas normais, uma mudança química na substância fibrilar
deve ter ocorrido. Essa pode ser a razão para as fibrilas sobreviverem ao desaparecimento da célula
[…]. […] Por todo o córtex, particularmente nas camadas superiores, encontram-se focos miliares
ocasionados pela deposição de uma substância peculiar no córtex cerebral, que pode ser reconhecida
sem coloração e é bastante resistente à coloração”.
FONTE: CAIXETA, Leonardo et al.. Doença de Alzheimer. Porto Alegre: Artmed, 2012, p.19-21.
ATIVIDADE
A atividade consiste em apresentar, na forma de texto, as respostas para os desafios
apresentados na sequência:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a doença de Alzheimer como sendo uma
doença degenerativa cerebral primária, irreversível, insidiosa, evolutiva e fatal, afetando a formação
do hipocampo e, posteriormente, as áreas corticais, provocando um declínio cognitivo funcional,
acometendo em maior quantidade, pessoas da terceira idade. A maior causa dessa doença é a
genética, atingindo mais de 70% da população, outros fatores de risco incluem histórico de lesão na
cabeça ou hipertensão. (FERREIRA; BEZERRA; SILVA, 2021). Considerando a contextualização
apresentada, descreva a fisiopatologia da doença de Alzheimer e explique de que maneira a
reabilitação geriátrica poderia auxiliar a paciente.
Sendo a doença de Alzheimer uma doença neurodegenerativa, pode-se afirmar que seu
início é decorrente do processo de envelhecimento e, é notório que a população brasileira vem
envelhecendo! Em 2017 a população idosa no Brasil ultrapassou a faixa de 30,2 milhões com uma
estimativa de que, em 2025, o país seja o 5º do mundo com maior número de idosos. Esta marca
deve-se ao fato do aumento da expectativa de vida, diagnósticos precoces, descoberta de novas
medicações, ou seja, avanço na área da medicina de uma forma geral. Entretanto, o processo de
envelhecimento traz consigo o desenvolvimento de condições associadas à velhice, não tendo como
“fugir” desta situação. Diante disto, o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, conhecidas como
PROJETO INTEGRADO
INDIVIDUAL – PTI
demências, começam a aparecer com mais frequência, dentre elas, a doença de Alzheimer (SILVA;
SARDINHA; LEMOS, 2020).
Todavia, os sintomas iniciais da doença de Alzheimer podem ser confundidos com o próprio
processo de envelhecimento natural, que envolve questões como: esquecimento, dificuldade de se
locomover, postura, marcha, equilíbrio, influenciando na qualidade de vida diária (de ALMEIDA;
PEREIRA, 2022). Diante disto, é possível afirmar que a doença de Alzheimer está relacionada à
senilidade ou à senescência? Justifique sua resposta apresentando a diferença entre estes dois
termos.
Diante deste contexto, quando um dos membros da família adoece, torna-se imprescindível
a participação deles nos cuidados, afinal há mudanças no equilíbrio do sistema familiar. De modo
geral, as mudanças provocam crises e desgastes, principalmente pela quebra da rotina, distribuições
forçadas e inesperadas dos papéis, aumento de custos, culpas, inseguranças entre outros impactos.
Diante da necessidade do idoso com doença de Alzheimer, da reviravolta nos papéis, funções e
funcionamento da dinâmica familiar, quase que inconscientemente elegem um membro da família
para ser o cuidador (CRUZ; HAMDAN, 2008 apud SILVA; SARDINHA; LEMOS, 2020). Assim, há um
grande impacto da doença na saúde mental do cuidador o que, na grande maioria dos casos, culmina
em um caso de estresse por parte deste. Sendo assim, como é possível conceituar o estresse? Além
disso, como é possível explicar os termos eustress e o distress?
Por fim, nota-se que o desafio de lidar com uma pessoa com doença de Alzheimer não é fácil.
São variados fatores que acabam levando os que estão ao redor, muitas vezes, à exaustão.
Entretanto, existem medicamentos que podem auxiliar na redução dos sintomas associados à
doença. Quais seriam os medicamentos indicados para a doença de Alzheimer e por quê?
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